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Três homens são denunciados por morte de casal de comerciantes em Fortaleza

Roseany Lima e o marido Wallace Oliveira foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em um trailher de lanche no Novo Mondubim, em Fortaleza. Arquivo pessoal Trê...

Três homens são denunciados por morte de casal de comerciantes em Fortaleza
Três homens são denunciados por morte de casal de comerciantes em Fortaleza (Foto: Reprodução)

Roseany Lima e o marido Wallace Oliveira foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em um trailher de lanche no Novo Mondubim, em Fortaleza. Arquivo pessoal Três homens foram denunciados à Justiça pela morte do casal de comerciantes no bairro Novo Mondubim, em Fortaleza. Roseany Lima, de 48 anos, e Wallace Oliveira, de 46 anos, foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em um trailer de comidas. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta terça-feira (15). Os denunciados são: Victor Rodrigues Freire José Ribamar de Souza Neto (vulgo Neném) Gabriel Soares de Freitas (vulgo Biel) ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Todos os três acusados estão presos. Eles foram denunciados por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas) e domínio social estruturado cometido no contexto de organização criminosa (uso de violência, ameaças ou intimidação para controlar um território, uma comunidade ou a população local, impondo regras próprias e desafiando a atuação do Estado). LEIA TAMBÉM: Entenda como a polícia chegou à casa de suspeito de matar casal de comerciantes em Fortaleza Preso por morte de casal de comerciantes diz ter recebido proposta de R$ 5 mil para participar do crime Conforme a denúncia do Ministério Público, o trio seria integrante de uma organização criminosa de origem carioca que atuava extorquindo comerciantes do bairro Mondubim, mediante a cobrança de uma “taxa”. A investigação aponta que o casal assassinado teria se recusado a contribuir com o “pedágio”, o que motivou a execução. Mulher denunciada Uma mulher também foi denunciada por tráfico de drogas, posse irregular de arma de fogo e receptação. Rayadna de Melo Nunes é companheira de Victor, que é apontado como o executor do casal. Na casa em que ele foi preso, a mulher também estava presente. No imóvel, a Polícia apreendeu quase 8 kg de cocaína, mais de 1 kg de maconha e 7,5 kg de crack, totalizando cerca de 16,5 kg de entorpecentes, já embalados para comercialização. Também foram encontrados um revólver, munições, um caderno de anotações, uma balança de precisão, cartões de crédito, documentos, diversos aparelhos celulares, uma quantia de dinheiro em espécie, uma camisa azul de manga longa, com aparência semelhante àquela utilizada por um dos autores do homicídio, uma motocicleta, dentre outros materiais. "Coube ao denunciado Victor efetuar os disparos efetuados contra as vítimas. Já o acusado José Ribamar desempenhou função essencial ao transportar o executor até o local do crime, além de garantir sua imediata retirada após os homicídios", disse o MP na denúncia. "Por sua vez, Gabriel contribuiu decisivamente para a consumação do delito ao providenciar a arma de fogo empregada na execução, bem como ao permanecer nas proximidades do local dos fatos, atuando na retaguarda da ação criminosa, e prestando suporte aos demais corréus, garantido o sucesso da empreitada criminosa", complementou. Assim, O MP argumentou que, embora em funções distintas, todos os denunciados concorreram de maneira consciente e voluntária para a prática dos homicídios. Preso disse que casal foi morto por engano Casal de comerciantes teria sido morto por engano O suspeito Gabriel Soares de Freitas afirmou que as vítimas foram mortas por engano. Conforme o depoimento do suspeito, o verdadeiro alvo que seria morto não era o comerciante assassinado. Gabriel disse à polícia que, após o crime, viu fotos das vítimas através das redes sociais e que tem certeza que mataram a pessoa errada — com relação à morte de Wallace. Já sobre a mulher morta, o suspeito preso disse que ela teria entrado na frente do atirador e, por isso, também foi atingida. No depoimento, Gabriel disse que recebeu uma proposta de um número de São Paulo para buscar uma arma próximo a um supermercado do bairro Jangurussu e entregar a Victor. O mesmo contato enviou uma foto do homem que deveria ser morto. Gabriel disse que recebeu R$ 200 pela entrega, que foi feita na casa de Victor. O alvo dos suspeitos estava em uma praça do bairro. Gabriel disse, em depoimento, que passou pela praça e avistou um homem que parecia ser o mesmo da imagem enviada pelo contato de São Paulo. Assim, ele mandou a localização do alvo para Victor. Gabriel relatou ainda que a motivação para a morte do verdadeiro alvo, pelo que soube, foi uma denúncia. Dias antes do crime, uma mulher estaria com R$ 70 mil em espécie na mesa do trailer dos comerciantes, e o dinheiro seria do tráfico de drogas. O alvo teria denunciado a mulher, acionando uma equipe policial para o local. Gabriel disse que foi repassado R$ 20 mil aos policiais militares para liberarem a mulher. A denúncia do Ministério Público contradiz a versão de Gabriel Soares de Freitas. "O crime foi cometido por motivo torpe, consiste em extorsão a comerciantes. Os elementos colhidos apontam, de modo preponderante, que as vítimas estivavam sendo constrangidas por integrantes da facção criminosa ao pagamento de uma espécie 'taxa', chamada comumente de 'caixinha', ou seja, uma contribuição ilícita exigida mensalmente de comerciantes da região como forma de financiamento e manutenção do domínio territorial exercido pela organização criminosa", concluiu o MPCE. Casal era conhecido e querido no bairro Quem era o casal morto a tiros em Fortaleza. Reprodução/Redes Sociais Além do trailer de lanches, que funcionava à noite, Roseany e o marido Wallace já trabalharam com o transporte escolar de estudantes. Em uma publicação de pesar, uma cliente do casal, que terá a identidade preservada, lembrou como Rose era atenciosa com o filho dela e conquistou a criança. A mulher destacou a confiança que tinha no casal. Em entrevista à TV Verdes Mares, o primo de Rose, Júnior Vidal, lembrou que o casal era muito família e trabalhador. O parente conta que eles deixam três filhos, tendo o mais velho, de 19 anos, ingressado recentemente na faculdade de medicina. "A gente não consegue nem encontrar forças para pensar no que pode ter sido", desabafa Júnior. O casal era bastante conhecido e querido na região. A associação de moradores do bairro foi uma das entidades que se manifestou com pesar pela partida dos dois. Nas redes sociais, amigos destacaram a parceria do casal e como eles viveram e amaram intensamente. 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