Monólitos, ETs, Rachel de Queiroz: conheça Quixadá, cidade onde foi gravado 'Feito Pipa', filme escolhido para representar Brasil no Oscar
Filme "Feito Pipa", escolhido para representar o Brasil na busca pelo Oscar 2027, tem como cenário o município de Quixadá Divulgação A cidade de Quixadá, ...
Filme "Feito Pipa", escolhido para representar o Brasil na busca pelo Oscar 2027, tem como cenário o município de Quixadá Divulgação A cidade de Quixadá, onde foi gravado o filme "Feito Pipa", escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027, tem atraído produções cinematográficas nos últimos anos. O município é conhecido por seus famosos monólitos, como a Pedra da Galinha Choca; o grande número de relatos de avistamento de óvnis; e pela fazenda "Não Me Deixes", que pertenceu à escritora Rachel de Queiroz. "Feito Pipa" conta a história de Gugu, um garoto de 11 anos apaixonado por futebol e criado pela avó, Dilma, uma professora aposentada que dá a ele liberdade e afeto. Quando a saúde dela piora devido ao mal de Alzheimer, o garoto precisa lidar com a possibilidade de ter que morar o com pai, Batista, com quem tem uma relação distante. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp O ator baiano Yuri Gomes dá vida ao pequeno Gugu. A atriz Teca Pereira interpreta Dilma, a avó do garoto, e Lázaro Ramos interpreta Batista, o pai dele. A obra tem roteiro de André Araújo e direção de Allan Deberton, dois cearenses nascidos em Russas, no interior do Ceará. A história tem como pano de fundo e cenário o município de Quixadá, cidade de quase 90 mil habitantes no sertão central do Ceará, localizada a cerca de 170 quilômetros da capital, Fortaleza. "Feito Pipa" foi gravado na zonas rural e urbana de Quixadá, em localidades como Tapuiará, Califórnia e Dom Maurício. 'Feito Pipa' é o escolhido para representar o Brasil em disputa por vaga no Oscar 2027 Filme cearense "Feito pipa" é pré-selecionado para representar o Brasil no Oscar Divulgação/Paris Filmes Terra dos monólitos O território da cidade de Quixadá é pincelado de pequenos e grandes monólitos - estruturas geológicas constituías por uma única e maciça pedra ou rocha. Muitas são grandes como uma serra, outras pequenas o bastante para escalar de mãos limpas. Em torno dos monólitos surgiram muitos dos relatos de avistamento de objetos voadores não-identificados, os óvnis. O mais famoso dos monólitos ficou conhecido como Galinha da Pedra Choca, pela semelhança com o formato da ave. A pedra, inclusive, fica nas proximidades do Açude do Cedro, outro ponto de atração do local: ele é considerado o primeiro grande açude do Brasil, idealizado ainda quando Pedro II era imperador, e concluído em 1906, quando a República sequer tinha 20 anos. Paredão do Açude do Cedro, primeiro açude do Brasil, construído na época do Império Prefeitura de Quixadá Um desses monólitos, inclusive, abriga a sede do Memorial Rachel de Queiroz, em homenagem à escritora cearense que vivia sazonalmente no município. O prédio, conhecido como Chalé da Pedra, foi construído em 1920 em cima da rocha, que está localizada no meio de uma praça. (Na foto abaixo) O conjunto rochoso é conhecido como Monumento Natural dos Monólitos de Quixadá e, desde 2002, é uma unidade de conservação ambiental do Ceará. Com uma paisagem singular no Brasil, Quixadá também tem diversas atividades voltadas para esportes de aventura e trilhas na natureza. Apesar da produção ter sido filmada em locais mais afastados destes pontos mais famosos, o cenário marcante de Quixadá tem açudes, monólitos e uma vegetação típica da caatinga, verde no período das chuvas e acinzentada no período seco, quando as plantas perdem as folhas e entram em uma espécie de "hibernação". Além da Galinha Choca: monólitos de Quixadá formam 'zoológico de pedra' Em Quixadá, memorial abriga acervo da vida e da obra de Rachel de Queiroz Alex Pimentel/SVM Para além da natureza memorável, Quixadá tem outros pontos de destaque: a cidade é sede do campus de tecnologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e funciona como uma espécie de polo educacional da região, atraindo estudantes de municípios vizinhos do sertão central. Nos últimos anos, Quixadá tem recebido com certa frequência a visita de equipes de filmagem. Filmes como "Shaolin do Sertão" e "Bem-vindo a Quixeramobim", de Halder Gomes; "Mais pesado é o céu", de Petrus Cariry; e até a produção norte-americana "Área Q", de Gerson Sanginitto, foram gravados lá. Turismo literário no Ceará: dicas de locais para visitar e conhecer referências da literatura Campus de Quixadá da UFC UFC/Reprodução Abduções, avistamentos e a fazenda de Rachel de Queiroz Localizada a cerca de 30 minutos da sede de Quixadá, a fazenda Não Me Deixes conserva a memória de Rachel de Queiroz, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. O lugar era o recanto preferido da autora e preserva bem os espaços que ajudam a contar a vida dela: a biblioteca, o alpendre, a sala de estar e a cozinha, por exemplo. Ali, ela escreveu diversos textos. Mesmo morando no Rio de Janeiro, Rachel anualmente vinha passar uma temporada na propriedade. Foi lá que, em maio de 1960, ela disse ter visto nos céus um objeto voador não identificado, cercado por um “halo luminoso e nevoento”, cuja luz alaranjada variava de intensidade, de velocidade e de aparência, sempre se deslocando no sentido horizontal. “Pelo menos umas vinte pessoas estavam conosco, no terreiro da fazenda, e todas viram o que nós vimos. Trabalhadores que chegaram para o serviço, hoje pela manhã, e que moram a alguns quilômetros de distância, nos vêm contar a mesma coisa”, escreveu Rachel de Queiroz. Fazenda "Não me Deixes'', da escritora Racheld e Queiroz TV Verdes Mares/Reprodução Abduções e visões em Quixadá: cidade do sertão cearense concentra relatos de contatos extraterrestres O relato de Rachel é um dos primeiros documentados de uma série de avistamentos que tornou famosa essa região do Ceará. Um livro lançado em 2022, chamado "Casos ufológicos em Quixadá", traz relatos de pelo menos 240 famílias da região. Hoje, Quixadá é conhecida por ufólogos como uma área de frequente relatos de avistamento de óvnis. A fama do local, inclusive, serviu de inspiração para roteiro do filme “Área Q”, de 2012, que aborda ufologia. Caminho para o Oscar Lázaro Ramos interpreta Batista, pai de Gugu, personagem do ator Yuri Gomes no filme "Feito pipa" Divulgação/Paris Filmes O filme cearense teve sua estreia mundial na Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro deste ano, e conquistou o Grande Prêmio do Júri Internacional, tornando-se um dos grandes destaques do festival alemão. O longa ganhou cinco prêmios no Festival de Gramado, um dos mais tradicionais do Brasil, entre eles o de melhor atriz para Teca Pereira e o de Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos. O filme também venceu o prêmio Júri Popular do Festival de Gramado, sendo eleito pelo público como seu filme favorito no evento. O roteiro de "Feito Pipa" foi construído durante o Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, em Fortaleza. Anualmente, o laboratório seleciona seis projetos e, ao longo de sete meses, os roteiristas recebem apoio financeiro e criativo, por meio de mentorias com roteiristas em atuação, para aprimorar seus roteiros. Na corrida pelo Oscar, o longa cearense concorreu inicialmente em uma lista de 15 filmes inscritos e habilitados para a ser o representante brasileiro na premiação. Da lista, sobraram seis na pré-seleção, da qual "Feito Pipa" saiu vitorioso. Depois de ser selecionado, a candidatura do filme brasileiro será submetida ao Oscar e concorre junto aos filmes de outros países por uma vaga nas categorias pleiteadas. O filme escolhido pelo Brasil, portanto, pode ou não ser selecionado para concorrer à premiação. Se for escolhido, o longa brasileiro irá concorrer na cerimônia do Oscar 2027, que está marcada para 14 de março de 2027. Lázaro Ramos, Teca Pereira, Yuri Gomes e o diretor do filme "Feito Pipa", Allan Deberton Divulgação/Paris Filmes Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: