Família de babá morta pela patroa em Portugal enfrenta entraves para trazer corpo ao Brasil: 'É uma situação desesperadora', diz viúvo
Babá cearense é encontrada morta em Portugal; patroa é suspeita de crime. A família da babá brasileira morta em Portugal ainda não conseguiu trazer o corp...
Babá cearense é encontrada morta em Portugal; patroa é suspeita de crime. A família da babá brasileira morta em Portugal ainda não conseguiu trazer o corpo dela para o Brasil mesmo um mês após o crime. Lucinete Freitas foi assassinada em 5 de dezembro do ano passado. A patroa dela, uma maranhense de 43 anos, está presa apontada como principal suspeita da morte. Lucinete foi encontrada morta em um matagal de Amadora, região próximo à capital portuguesa Lisboa, após passar 13 dias desaparecida. A patroa ainda não teve a identidade divulgada pelas autoridades portuguesas. Após ser presa, a mulher indicou onde o corpo da babá estava. Teodoro Júnior, viúvo de Lucinete, disse que o pedido de traslado foi feito ao Governo Federal, e que o caso de Lucinete se encaixaria na lei aprovada em 2025 para mortes de brasileiros fora do país. No entanto, ele disse que o Governo Federal argumentou que a lei ainda não está sendo aplicada por falta de definição de orçamento. ""Eu não imaginava passar por isso do jeito que estou passando. Uma situação tão difícil. Uma situação desesperadora. Olhar para o meu filho e não saber o que dizer para ele. A gente passa as noites em claro. A gente não consegue dormir bem", lamentou Teodoro. Em nota, o Itamaraty disse que o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, acompanha o caso e presta assistência consular aos familiares da nacional brasileira. "O traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas [...] O Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros", complementou o órgão. LEIA TAMBÉM: DENÚNCIA DO MP: Brasileira morta em Portugal foi assassinada pela patroa com golpe de bloco de cimento Brasileira morta em Portugal: patroa pegou celular da vítima e mandou mensagens sobre viagem fingindo ser ela, diz MP português Ainda em dezembro, os familiares relataram excesso de burocracia, demora e falta de informações claras sobre os procedimentos necessários, além da ausência de condições financeiras para arcar com os custos do traslado internacional. Em 2025, o presidente Lula assinou um decreto que prevê que, em caráter excepcional e mediante justificativa, a proibição de custeio do traslado de corpos de brasileiros pelo Estado pode ser flexibilizada. Segundo o decreto, o traslado pode ser autorizado quando (desde que haja disponibilidade orçamentária e financeira por parte do governo): a família comprovar incapacidade financeira para arcar com as despesas; os custos não estiverem cobertos por seguro ou previstos em contrato de trabalho, nos casos de deslocamento a serviço; o falecimento ocorrer em circunstâncias que causem comoção. Possível motivação Segundo o marido da vítima, Lucinete iria depor a favor do patrão em um processo sobre a guarda do filho dele com a suspeita do crime. Teodoro Júnior, viúvo de Lucinete, disse que o casal de patrões vivia um relacionamento conturbado, e Lucinete presenciou diversas brigas. Ele falou que a vítima sempre se posicionava a favor do patrão quando era envolvida nas discussões. Ele acredita, inclusive, que essa é a motivação do crime. "Ela se posicionava a favor do patrão nas brigas entre o casal. O patrão sempre foi uma pessoa com perfil social, minha esposa sempre defendeu muito ele, dizia que ele era um senhor muito íntegro, muito trabalhador. Aí ela relatava que a patroa já era um perfil totalmente diferente, uma mulher descompensada", disse Teodoro. "A motivação foi justamente essa. A motivação mesmo, propriamente dita, foi a questão dela ter se metido nas desavenças, nos conflitos entre o casal. Porque ela sempre gostou de se posicionar do lado do certo, do justo", complementou. O MP de Portugal informou que a patroa foi indiciada pelos crimes de "homicídio qualificado, um crime de profanação de cadáver, um crime de detenção de arma proibida e um crime de falsidade informática". No Brasil, as tipificações similares são "homicídio qualificado, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma e falsidade ideológica". Quatro meses no trabalho A cearense Lucinete Freitas, que morava em Portugal, sonhava em levar marido e filho para o país europeu. Arquivo pessoal Lucinete morava sozinha em Amadora, região metropolitana de Lisboa, e tinha planos para levar o marido e o filho de 14 anos para o país europeu em 2026. Ela estava há sete meses em Portugal e, há cerca de quatro meses, trabalhando como babá do filho do casal. Ela encontrou o emprego em um grupo nas redes sociais, após a patroa anunciar que estava precisando de uma babá — de preferência brasileira, conforme Teodoro, já que a patroa é maranhense. Já Lucinete era natural de Aracoiaba, no interior do Ceará. A relação com a patroa era "conflituosa", conforme o Ministério Público de Portugal. O motivo desses conflitos era o posicionamento da babá favorável ao patrão durante as brigas do casal. No entanto, houve momentos de boa relação com a patroa, conforme Teodoro — o que o deixou ainda mais revoltado com o crime. Conforme o viúvo, a patroa chegou a fazer um bolo para comemorar o aniversário de Lucinete 11 dias antes do crime. Lucinete foi morta no dia 5 de dezembro com um bloco de cimento usado para golpeá-la na cabeça, após aceitar da patroa uma carona para casa. No dia 18 de dezembro, a mulher foi presa apontada como suspeita do crime e revelou onde o corpo estava. A mulher ainda teria jogado entulho para ocultá-lo. Ela também, conforme o MP, pegou o celular da vítima e mandou mensagens fingindo ser a babá. Ao se passar por Lucinete, disse que estava viajando para o Algarve, em outra região de Portugal, com uma amiga, para evitar suspeitas sobre o desaparecimento. "Ela levou [minha esposa] para um local afastado da casa dela, macabramente. Ou seja, ela atraiu de forma selvagem. Um crime assim tão bárbaro, brutal. Em consequência de uma covardia, foi muito traiçoeiro", declarou Teodoro. "Eu não sei nem como expressar mais, não tenho nem palavras para isso. Eu não tenho mais lágrimas. Minha alma dói, meu coração dói, eu estou seco de lágrimas", lamentou o viúvo. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará